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Um modelo de negócio que utiliza a tecnologia para conectar diferentes stakeholders, como consumidores, produtores e prestadores de serviços, visa facilitar as interações e a troca de valor entre eles

Julho de 2022 – Como é possível, em 2021, a Disney ter aproximadamente 203 mil colaboradores e as suas receitas somarem 67,4 bilhões de dólares no ano, enquanto o Facebook (atual Meta) possuía 12 mil funcionários e registrou um resultado financeiro de 117 bilhões de dólares? A resposta é que, enquanto a Disney segue o modelo tradicional de negócios, o Facebook trabalha com Platform Economy (em português, economia de plataforma).

Este é um modelo de negócio que utiliza a tecnologia para conectar diferentes stakeholders, como consumidores, produtores e prestadores de serviços, visando facilitar as interações e a troca de valor entre eles.

De acordo com a consultoria McKinsey, as empresas baseadas em plataformas digitais irão movimentar cerca de US$ 60 trilhões até o ano de 2025. Hoje, sete das 10 maiores empresas do mundo seguem esse modelo de negócio, como Google, Amazon e Apple. Nem tudo é “plataformizável”, mas são muitas as possibilidades, principalmente quando relacionado às vendas.

O modelo de economia de plataforma garante geração de valor e crescimento acelerado por ser um estilo de negócio que desfruta muitas vezes da Open Innovation (em português, Inovação Aberta) e do Network Effects (Efeito de Rede) que, neste caso, significa que quanto mais empresas participam dessa rede de plataforma, mais o valor delas aumenta.

O chamado ‘Efeito de Rede’ existe desde sempre. Pense no telefone ou no fax, que após a digitalização e a presença da tecnologia em toda parte, sofreram impactos enormes.  Enquanto isso, a ‘Inovação Aberta’ se entende trazendo aplicações e funcionalidades construídas sobre os ecossistemas de terceiros.

Assim, a Platform Economy, ou simplesmente economia de plataforma, é o caminho para que as empresas se reinventem e se mantenham competitivas no mercado. Em um mundo mais dominado pelo mobile, redes sociais e tecnologias em tempo real, os consumidores buscam cada vez mais participar de uma economia compartilhada e a oportunidade de “plataformizar” o próprio modelo de negócio está no alcance de muitas empresas, até das mais tradicionais.

Uma primeira etapa para essa transformação é o movimento D2C (em português, direto ao consumidor), que é uma tendência em vários setores que sempre tiveram terceiros atuando. Esse conceito elimina intermediários e prevê a venda direta ao consumidor, o que ajuda na estratégia de coletar dados desse cliente e oferecer uma experiência melhor.

A ordem agora é apostar na plataforma de economia para substituir o modelo de negócios autossuficientes, que estão ultrapassados. É preciso pensar em uma estratégia de migração para o novo modelo pelo menos de forma parcial, usando os recursos já existentes e, ou, presentes no mercado ou desenvolvendo novas plataformas. Há diferentes metodologias para avaliar qual parte dos negócios da empresa podem ser “plataformizados”, avaliando, por exemplo, qual valor é trocado entre os stakeholders, se existem já plataformas no mercado a ser desfrutadas, entre outros detalhes.

O mais importante de tudo é entender que um projeto de sucesso baseado na “platafomização” precisa ser centrado na adoção de uma abordagem API First, que coloque as Interfaces de Programação de Aplicações no centro da estratégia da empresa para desenhar produtos e serviços que explorem e desfrutam os ecossistemas digitais, redesenhando e inovando a cadeia de valor.

Lembrando que a API First é uma mudança de pensamento e não apenas uma tecnologia, ou seja, é como o negócio pensa e se expressa via um software. Portanto, é primordial o entendimento de que a empresa não precisa estar entre as maiores, mas é necessário, se não mandatório, seguir o caminho delas para poder se destacar no mercado.

*Filippo Di Cesare é CEO Latam (Brasil e Argentina) da Engineering

Veículo Portal Decision Report: http://engdb.me/77iXo

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