Entrevista

Inteligência Artificial na prática

Fevereiro de 2022 – A inteligência artificial (AI) já é uma realidade dentro da pecuária brasileira e vem ajudando criadores e produtores não apenas no controle do rebanho, mas também no desenvolvimento de insumos alimentícios cada vez mais refinados para os animais, afirma Thiago Mascarenhas, head de dados e arquitetura da Engineering, empresa global de tecnologia da informação especializada em transformação digital.

De acordo com o executivo, com base nas variações espaciais e temporais, metodologias e condições genéticas do animal, é possível propor modelos para formular uma alimentação ideal para a engorda de gado. Nesse sentido, ele menciona como exemplo um caso famoso, no interior de São Paulo, que, através da agricultura de precisão, aliada à inteligência artificial, obteve resultados expressivos de 1.8 kg por dia na engorda em confinamento.

“Na alimentação, por exemplo, a AI permite criar modelos de inteligência artificial e machine learning que, através de variáveis de entradas, permitem simular e identificar o nível ideal de determinados componentes nessa alimentação”, ilustra.

Outro destaque na pecuária, segundo o especialista, é o uso da visão computacional, que é um sub-ramo da inteligência artificial, no controle de rebanhos abertos, como o uso de satélites que produzem imagens diariamente e também de imagens por drones.

Ele acrescenta que, dentro do confinamento, a visão computacional permite monitorar a temperatura e a movimentação do animal. “Já dentro da indústria pecuária, essa tecnologia identifica, depois do abate do animal, qual o melhor posicionamento de corte e, na sequência, a eficiência da pessoa que realizou o corte”, relata.

Outra tecnologia citada por Mascarenhas é o digital twin (gêmeo digital), que captura a realidade animal, criando uma camada de sensorização individual que permite rastrear os animais e todo o processo.

“Não estou falando da cadeia bovina, em que é muito mais fácil colocar um chip ligado ao boi, mas, ainda assim, eu não capturo a realidade inteira. Imagine, então, dentro de uma granja com 40 mil aves, em que o volume da sensorização já é um empecilho!”, compara.

Na visão do executivo, a IA está revolucionando a pecuária, ao criar uma camada de visão computacional cada vez mais eficiente e mais robusta com o uso do digital twin como ferramenta de digitalização. “Para se ter uma ideia, por meio de algumas câmaras, é possível capturar quanto um frango se movimenta, seu estágio de desenvolvimento e a taxa média de temperatura, entre outros parâmetros, além de identificar a presença de anomalia em algum desses animais”, explica.

“O mesmo vale para o espaço do confinamento de bovinos. Através de câmaras, consigo capturar a realidade total do ambiente. Essa é uma camada dentro da AI”, explica. “Depois, eu subo para o sistema chamado digital twin, que é uma captura da realidade transformada em um mundo digital. Então, eu sei quando o boi chegou, quanto ele está crescendo, em que baia está, ou seja, começo controlar e criar toda uma história do animal, da entrada até a saída para o abate.”

Ele acrescenta que o processo conta ainda com a tecnologia chamada blockchain, que registra os dados de entrada, saída, engorda e alimentação do animal, tornando essas informações mutáveis, ou seja, que não se apagam mais.

Mascarenhas informa que a empresa atua junto a um grande produtor frango, com 24 unidades industriais, e criou o mesmo digital twin, associado blockchain, representando cada etapa do processo industrial.

“Acompanhamos todo o processo de industrialização por meio de câmaras e sensores e, assim, conseguimos determinar o peso de cada frango”, informa. Como a gente tem o rastreio total, cada uma das partes que vai saindo a partir da desossa é rastreada e gravada no blockchain.

Segundo ele, quando a indústria estiver pronta para disponibilizar todas essas informações, o que exige uma área de TI forte para receber todas as requisições que virão dos seus milhões de consumidores do País, ela poderá expor isso num aplicativo web ou de celular.

Publicação original: Canal Pecuarista

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