Abertura do mercado livre de energia amplia uso de IA e acelera transformação digital das comercializadoras e distribuidoras
Segundo Flávio Soares, diretor Comercial da vertical de Energy & Utilities da Engineering Brasil, novo cenário competitivo exige inteligência de mercado, automação e gestão avançada de indicadores regulatórios.
Agosto de 2026 – A abertura do mercado livre de energia no Brasil representa uma das maiores transformações já vividas pelo setor elétrico. Conforme mais consumidores passam a ter liberdade para escolher seus fornecedores de energia, empresas do segmento precisam desenvolver novas capacidades para competir, reter clientes e garantir excelência operacional em um ambiente muito mais dinâmico.
Mais do que uma mudança regulatória, o movimento está fomentando investimentos em inteligência artificial, analytics avançado e plataformas digitais voltadas para aquisição e fidelização de clientes, previsibilidade de demanda e gestão operacional de forma mais ágil.
Para Flávio Soares, diretor Comercial da vertical de Energy & Utilities da Engineering Brasil, o desafio passa a ser semelhante ao enfrentado por mercados já liberalizados, nos quais a experiência do cliente e a inteligência comercial se tornam fatores determinantes para a competitividade.
“O mercado livre transforma profundamente a dinâmica do setor elétrico. As empresas passam a competir pela preferência do consumidor e precisam desenvolver uma capacidade muito maior de conhecer seus clientes, antecipar necessidades e agir rapidamente diante das oportunidades e riscos do mercado”.
Nesse contexto, a inteligência artificial ganha atuação relevante. Algoritmos capazes de analisar perfis de consumo, comportamento de contratação, movimentações de mercado e histórico de relacionamento permitem às empresas identificar oportunidades de prospecção, prever riscos de evasão e direcionar ações comerciais de forma mais eficiente.
“A IA tem potencial para apoiar desde a segmentação de clientes até a recomendação das melhores estratégias de retenção e expansão de carteira. Em um mercado mais competitivo, a capacidade de transformar dados em decisões rápidas passa a ser um diferencial fundamental”, afirma Soares.
Outro ponto de atenção está relacionado à gestão regulatória. Com a evolução do mercado livre, cresce a necessidade de monitorar indicadores, garantir conformidade e responder rapidamente às exigências dos órgãos reguladores e operadores do setor.
Segundo o executivo, a separação cada vez mais clara entre os agentes responsáveis pela operação do sistema elétrico e aqueles focados no relacionamento comercial com o consumidor cria desafios para o compartilhamento de informações e para a governança dos processos.
“Os dados passam a circular entre múltiplos atores do ecossistema. Isso exige ambientes tecnológicos capazes de garantir integração, rastreabilidade e confiabilidade das informações, além de oferecer visibilidade em tempo real para tomada de decisão”.
Nesse sentido, plataformas integradas, automação de processos, inteligência artificial e análise avançada de dados tornam-se elementos essenciais para sustentar o crescimento das empresas e assegurar elevados níveis de eficiência operacional e conformidade regulatória.
Para Soares, a abertura do mercado livre consolida uma mudança estrutural no setor elétrico brasileiro, na qual tecnologia e inteligência de dados deixam de ser apenas ferramentas de suporte para assumir papel central na estratégia de crescimento das empresas.
“Estamos entrando em uma nova fase do setor elétrico. As organizações que conseguirem combinar inteligência artificial, gestão de dados e excelência operacional estarão mais preparadas para conquistar clientes, atender às exigências regulatórias e crescer de forma sustentável em um mercado cada vez mais competitivo”, conclui.
Publicação original: Energia Limpa