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Transformação ágil: quanto sua empresa perde de dinheiro sem a mudança cultural?

Dezembro de 2022 – Os últimos dois anos no Brasil foram de intensos investimentos em tecnologia. De acordo com a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), as projeções de investimento na área até o fim de 2022 são de, aproximadamente, R$ 345,5 bilhões, reflexo de um mercado que vem mudando e se reinventando constantemente.

Impulsionadas pela concorrência cada vez mais acirrada, as empresas precisam aliar o avanço tecnológico a uma nova forma de pensar a gestão de negócio para que essa equação resulte em rentabilidade. Esse é o desafio a ser trabalhado para que os investimentos não sejam perdidos e, pensando que estamos em fase de planejamento orçamentário e de revisão dos investimentos para 2023, a hora de apostar numa visão ampla da transformação do negócio é agora.

E como as empresas podem se orientar neste sentido? Enquanto a transformação digital promove processos automatizados, a transformação ágil conecta-se à mentalidade, isto é, à mudança de pensamento que surge com o uso da tecnologia. Sendo assim, enquanto a primeira lida com ferramentas e soluções, a segunda trata do desenvolvimento das pessoas de forma prática e rápida para que elas se adequem às mudanças. O ponto de convergência de ambas as transformações, que promove a modificação de processos, é adaptar a mentalidade à nova cultura corporativa. O resultado é a real geração de valor da oferta aos clientes.

É preciso ficar claro que, quando algo não está evoluindo conforme o planejado dentro da empresa, a primeira opção sempre é pensar em investir em mais tecnologia. Cuidado! É nessa hora que devem ser entendidas as necessidades pontuais para que elas sejam exploradas por meio da transformação ágil. Ela vai preencher a lacuna que falta. Para realizar um plano estruturado e garantir que, de fato, o negócio seja alavancado junto aos investimentos em tecnologias, alguns passos são considerados primordiais para que se obtenha uma gestão fluída, dinâmica e ágil. São eles:

  • Mapeamento: nesta etapa busca-se ter conhecimento sobre a possibilidade de a empresa ter pensamento ágil e em quais aspectos e áreas eles se concentram. Nesse momento é importante entender se a companhia conhece sua missão, visão e se possui objetivos estruturados. A partir disso, busca-se os indicadores que precisam evoluir, se as áreas se comunicam, se os colaboradores estão se desenvolvendo e se há tecnologia a favor das áreas.
  • Diagnóstico: aqui ocorre o aprofundamento em cada etapa levantada no mapeamento. A partir das respostas é possível ter uma visão da proposta de valor para propor as mudanças. Para colocar as implementações em prática é realizado plano de ação, que é composto pelo mapeamento dos pontos junto à detecção dos benefícios obtidos com as mudanças.
  • Agente de mudanças: neste ponto a ideia é construir uma gestão de liderança e iniciar práticas e dinâmicas com o comitê de governança, que apoiará no reconhecimento da transformação. Ou seja, se torna imprescindível ter um agente de mudança dentro da empresa e, junto com ele, ensinar a dar continuidade no processo após a mudança de pensamento ser atingida por meio da transformação ágil. Também se faz necessário adotar um plano de ação por ondas, providência que permitirá ao cliente ter visibilidade para continuar todo o fluxo de desenvolvimento sobre as iniciativas que foram determinadas.
  • Novo mapeamento: após as três fases, grande planejamento, estruturação e normalização (indicadores de maturidade), se gera um novo mapeamento para avaliar a maturidade das mudanças. Assim, monitora-se todo o fluxo e recria-se o plano de ação que vai se ampliando a cada fase do negócio para acompanhar as mudanças aos poucos.

Investir em tecnologia é fundamental para as empresas, mas é importante que a mudança cultural ocorra em paralelo. O esforço para isso envolve líderes, área de marketing e recursos humanos para tudo estar conectado. Parceiros tecnológicos têm como premissa não só apoiar as empresas com ferramentas e sistemas, mas também na definição de estratégias para que as soluções e as pessoas estejam alinhadas aos objetivos do negócio. O resultado disso será a verdadeira transformação digital para poder concorrer num mercado cada vez mais competitivo e digital.

*Por Flavio Esio, gerente de Agile na Engineering Brasil.

Publicação original: Olhar Digital

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